quarta-feira, 11 de abril de 2018

Carros reprovados em segurança se consolidam como líderes nacionais

A indústria automotiva é um dos melhores exemplos desta lógica pacóvia. Afinal, não bastasse as montadoras lucrarem aqui três, quatro, às vezes cinco vezes mais do que nos principais mercados mundiais, aliás subsidiando sua competitividade nesses mercados com o lucro obtido aqui, elas agora nem se dão ao trabalho de disfarçarem que nos vendem veículos inseguros. Em outras palavras, assim como ocorria na era colonial, quando os brasileiros eram vistos pela matriz como seres inferiores aos portugueses, os automóveis vendidos no Brasil dão prova claríssima e incontestável de que a vida do consumidor tupiniquim não tem o mesmo valor da de um norte-americano, alemã, italiano ou japonês.

Não é à toa que o Onix é o carro mais vendido do país. Seu reinado é a prova cabal da incapacidade tupiniquim, de que a mesma mistura de ignorância e vaidade que levava os índios a trocarem seu ouro por um espelhinho mequetrefe ainda pauta nossas relações de consumo. Ter um zero-quilômetro na garagem é mais importante, mesmo que se submetendo a extorsão de um financiamento, do que perder a vida a bordo dele. Aliás, a vida tem menos importância do que o cheiro de um 0 km.

Mas não foram só bonecos dummie que morreram, dentro do Onix. Morreu com eles nosso orgulho de ser um dos poucos países do mundo que lograram na produção de veículos automotores. Afinal, a estrutura do compacto da Chevrolet foi considerada instável, a porta traseira se abriu durante os crash tests, franqueando o caminho para a ejeção dos ocupantes do banco de trás – onde viajam as crianças.

E se engana quem pensa que o Onix roda sozinho, na estrada da insegurança. Em agosto do ano passado, Fiat Palio e Peugeot 208 foram rebaixados nos mesmíssimos testes de colisão. O Palio perdeu pontos porque o Latin NCAP incluiu uma nova prova nas suas avaliações, que simula a batida lateral contra um poste, enquanto o 208 teve os reforços laterais adotados na Europa retirados, no modelo nacional, por economia.

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